EN PT

A meninos do Mundo estará a fazer recolha de bens alimentares não perecíveis todas as segundas e terças feiras na sua sede: Av. Mouzinho de Albuquerque , nº 7A, perto da Praça Paiva Couceiro/ Cemitério do Alto de S. João

A Meninos do Mundo vai, durante o mês de Julho, deslocar-se à Guiné Bissau para mais uma missão. Vamos com uma equipa multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e outros elementos para trabalharmos em várias áreas que nos foram solicitadas. Vamos transportar cerca de 700 quilos de material médico, medicamentos, roupas de cama, de vestir, toalhas, livros, material escolar e didático e alimentos que iremos doar às instituições com que iremos trabalhar.

A todos os que nos ajudaram a conseguir tudo isto o nosso muito obrigado. A vossa generosidade fará toda a diferença no quinto país mais pobre do Mundo

Sábado, dia 9 de Julho de 2016, algo mágico começou para um grupo de 12 pessoas que cheios de vontade e em comunidade embarcaram para dar cara a uma semana de ajuda e partilha na magnifica ilha de São Tomé. Para mim, este foi, sem dúvida, um momento marcante, pois era o inicio de algo desconhecido, mas que eu sabia que nunca poderia correr mal ou não me encher o coração. E assim foi, 12 pessoas foram à conquista do que S. Tomé e Príncipe tinha para lhes oferecer.
Esta viagem era muito importante, pois fazer voluntariado sempre foi uma coisa que esteve presente na minha vida desde pequena, sempre participei nas campanhas do Banco Alimentar desde os 6 anos, faço Missão País há dois anos e duas vezes por mês eu e o meu grupo de escuteiros vamos entregar comida aos sem-abrigo pela zona da Baixa.

Ao início nem me apercebi, só quando aterrei em S. Tomé e Príncipe é que pensei para mim mesmo: “Ok, eu estou mesmo a fazer isto, já não posso voltar atrás”. Queria muito fazê-lo, mas era uma responsabilidade enorme, sentia um misto de ansiedade e, medo, de não conseguir estar à altura.

Fomos avisados várias vezes sobre a realidade daquele país: O que poderíamos encontrar, como deveríamos agir. Mas por muito que nos fosse dito, como mais tarde iríamos perceber, nada nos podia realmente preparar para aquilo. É algo pessoal,  único: a forma como cada um de nós sente e, como cada um se envolve.

Uma escuta corrosiva

Quando era criança, o meu pai dizia-me: minha filha, como é que vivi 30 anos sem ti? Quando era criança a minha mãe dizia-me: eu amo-te. Quando era criança, ficava em casa e era acarinhada. Quando era criança, tinha uma casa, tinha um quarto, uma cama, um colchão. Quando era criança dormia com os meus brinquedos: na minha cama estavam sempre o Noddy e a Ursa Teresa. Quando era criança, via desenhos animados vezes sem conta. Tinha um computador, televisão. Quando era criança, comia e bebia. Quando era criança , ia ao médico e era tratada. Quando era criança , deitava-me no peito da minha mãe e adormecia em menos de dez minutos. Quando era criança , deitava-me no meio dos meus pais e ficava no quentinho. Quando era criança , tinha casacos para me poder abrigar do frio. Quando era criança , sorria. Desenhava. Saltava à corda. Jogava à bola.